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ENGENHO LAJE BONITA - QUIPAPÁ - PE
RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL

A Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Laje Bonita foi certificada pela Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - CPRH no dia 28 de março de 2006, através da Portaria Conjunta CPRH / SECTMA n° 002/2006, por sua relevante importância para a conservação da diversidade biológica da Mata Atlântica do Estado de Pernambuco.


Angelim (Andira sp.)


Pau Sangue (Pterocarpus violaceus)


LINKS PARA REPORTAGENS SOBRE A CRIAÇÃO DA RPPN

- Diário Oficial do Estado de Pernambuco
- Secretaria Estadual de Tecnologia e Meio Ambiente
- Corredores de Bio Diversidade
- Folha de Pernambuco


UM MITO CHAMADO “CUMADI FULÔZINHA”

"Comadre Florzinha, conforme nos ensina o Mestre Câmara Cascudo, é um ente mitológico, uma fantástica e misteriosa mulher que vive na floresta, sempre pronta a defender animais e plantas contra as investidas dos predadores da natureza. Espécie de Curupira sertaneja, Comadre Florzinha pune os invasores das matas, aplicando surras sem piedade nos caçadores inescrupulosos, assassinos de árvores e seqüestradores de passarinhos. Comadre florzinha protege as matas e, às vezes, pode ser cruel com quem a desrespeita e desafia”.

“O Curupira, já mencionado pelo Padre Anchieta em 1560, é o demônio das florestas amazônicas. Seus pés virados para trás confundem os caçadores, fazendo com que se percam nas matas. Surge e desaparece de repente. Os índios deixavam presentes, com flechas e penas, pelo caminho para que o Curupira não lhes fizesse mal”.

“O Caipora mora no mato e tem o corpo todo coberto de pêlos. Vive montado num porco-do-mato, carregando uma vara é parente do Curupira e protege os animais da floresta. Os índios acreditavam que ele tinha medo da claridade, então se protegiam andando a noite com tições acesos”.


VARIAÇÃO DO MITO EM QUIPAPÁ

Aqui em Quipapá, nas matas da nossa região vive um espírito caboclo, caminhante e brincalhão chamado Cumadi Fulôzinha. Ele toma a forma de uma menina de mais ou menos oito anos, toda vestida de branco e com longos cabelos negros que lhe cobrem o corpo. O espírito ajuda quem o respeita e clama por ele e também gosta de receber oferendas (confeitos, papas e fumo), mas castiga severamente quem o trata com desdém e pouca fé.

O nome Cumadi Fulôzinha é uma derivação de Comadre Florzinha. Conta-se que a forma de tratamento “Comadre” denota grande respeito e que o nome Florzinha dar-se pela aparência da menina bonita, jovem e pequena. Existe também um apelido que as pessoas têm receio de pronunciar, pois afirmam que o espírito não gosta de ser chamado de Caipora e castiga quem o faz.

Esse espírito caboclo é visto com maior freqüência durante o verão. Nessa época ele passa as noites correndo pelos campos no lombo dos cavalos, tecendo tranças e tramas nas longas crinas que ninguém ousa desmanchar. Os cães caçadores amanhecem estafados de correrem atrás de animais inexistentes. Ao longe se ouve apenas o longo assovio e um riso galhofo e estridente. É Cumadi Fulôzinha que nunca falou com ninguém.

Certa vez um caçador fez um acordo com ela: em troca de caça abundante ele lhe traria todos os dias um prato de papa. Diariamente o caçador trazia a comida e colocava sobre um toco de árvore então, na volta para casa encontrava no seu caminho uma caça abatida. Um dia a mulher do caçador ficou com ciúmes e, sem saber para quem se destinava a comida, temperou a papa com pimenta. O caçador, sem saber de nada, depositou no toco de árvore a papa apimentada. Conta-se que o caçador só foi encontrado três dias depois, morto e tão enrolado com cipós que teve de ser enterrado com eles.

Estando perdido na mata peça ajuda a Cumadi Fulôzinha e logo você encontrará a saída mais próxima, mas se você chamá-la pelo apelido Caipora ou trata-la desrespeitosamente passará pela saída várias vezes sem conseguir enxergá-la. Mesmo que você conheça a mata como a palma da sua mão, ela lhe parecerá completamente estranha, e você poderá permanecer perdido por dias, como castigo.

As aparições são tantas que algumas pessoas acreditam existirem várias Cumadis Fulôzinhas. O espírito é considerado de boa índole e desperta um profundo respeito nas pessoas da região, mas a relação entre ele e a crença do povo também é permeada pelo medo de um castigo que é encarado como justo em função do agravo cometido.